O bebê humano vem aí! Ajude seu cão a participar desta alegria!

Muitos de nós possuímos histórias de amor e encantamento envolvendo a convivência com animais de estimação, principalmente na infância. E cada dia mais, a ciência vem comprovando a importância e os benefícios físicos e emocionais desse convívio, principalmente com cães e gatos. Mas infelizmente algumas famílias ainda demonstram receio e até preconceito em relação à presença de animais na casa quando um bebê vai chegar.

bebe humanoE, pior, muitos pais e mães “de primeira viagem” pensam em doar seus animais no momento em que a gravidez se confirma. Infelizmente, alguns médicos humanos incentivam tal atitude. Buscando informações corretas e conhecimento, a convivência do bebê com o animal pode transformar-se num enredo feliz e repleto de aprendizado para todos.

O canil Encrenquinha’s vem participando de várias histórias de sucesso e muita alegria envolvendo a convivência de cães e crianças. Em relação à chegada de bebês humanos nas famílias que já possuem cães, o fundamental é jamais excluir o animal dessa novidade e aprender a prepará-lo para receber e reconhecer o novo membro da família e da matilha.

A médica veterinária Adriana Zonis, especialista em clínica de pequenos animais do Encrenquinha’s, afirma que “o ideal é o cachorro fazer parte de todos os movimentos, de toda a preparação da casa para a chegada do bebê. Participar até da montagem do quarto, dos móveis, assistir à arrumação das roupinhas e dos brinquedos”.

O cão que vive com uma família percebe tudo e continua tendo suas necessidades, que devem ser atendidas nesse período. “Um cão não pode sentir-se excluído. Se de repente a família impõe novas regras drásticas, deixando o animal fora da convivência com a qual ele sempre foi acostumado, certamente ele reagirá, fará birra ou até se tornará violento. É preciso aprender a lidar com o cão e introduzi-lo na história nova que a família está vivendo”, ensina Adriana.

Agindo de forma inclusiva

A médica veterinária tem orientado muitas clientes que engravidam, e praticamente todas relatam histórias de sucesso. A própria Adriana viveu na pele a experiência e garante: foi e tem sido maravilhosa. Quando engravidou, seguiu os passos que sempre ensinou para outras mães e deixou suas três cachorras – Chiara, Fiona e Vick – participarem de todos os preparativos.

Adriana e o marido fizeram todos os reforços positivos e as cachorras nunca foram excluídas das rotinas da casa e dos preparativos durante a espera do bebê. “Quando o Frederico nasceu, mostramos a elas que a matilha tinha um novo membro e hoje todas adoram meu menino, até a Fiona, que antigamente era meio ranzinza com crianças. Frederico e Fiona são super companheiros, não se desgrudam”, conta Adriana.

A veterinária dá algumas dicas para as futuras mamães e papais: “a saúde do animal deve estar garantida, é importante consultar o veterinário, manter a vacinação em dia, vermífugos, tudo. Adriana aconselha que os cães tenham acesso a alguma roupinha do nenê, com o cheirinho dele, mesmo antes da chegada em casa. “Com o bebê ainda na maternidade, pegue uma roupinha com o cheirinho dele e leve para o cão cheirar, deixe perto dele. Quando o nenê chegar casa, mostre-o ao cão, deixe-o cheirar os pezinhos, e ele reconhecerá o cheiro. E vá fazendo a aproximação, em várias situações”, ensina Adriana.

Mas, a chegada de um novo membro na família não é só alegria e festa, alerta Adriana. “A linda novidade traz preocupações e mudanças radicais na rotina da família, surpresas, preocupações, tensões. Criança também é estresse, mas nada pode justificar o abandono de um cão ou seu isolamento dentro da família”, observa.

Desenvolvendo emoções positivas

A médica veterinária e doutora em Psicologia Ceres Berger Faraco garante que as crianças têm os bichos como parceiros e a comunicação entre eles estabelece-se facilmente, até porque “os dois expressam-se por habilidades sensoriais e gestuais”. Em recente entrevista à Rede Bom Dia, Ceres frisou: “a troca é imediata. O bebê percebe que o bichinho reage a todo tipo de estímulo, demonstrando carinhos nos atos positivos e aborrecimento naqueles que o desagradam. Ele consegue compreender mais os animais do que os adultos e aprende muito com eles”.

No entanto, tanto Adriana Zonis quanto Ceres alertam que uma criança não tem como cuidar sozinha de um animal e a relação entre eles deve ser supervisionada e orientada pelos adultos. Ceres sugere que a criança acompanhe os cuidados e a relação amorosa entre os pais e os animais, pois isso é uma excelente fonte de aprendizagem.

E Adriana observa: “todas as relações são de dupla via e os pais tem que ensinar limites para os dois, para a criança e para o cachorro. Um animal não gosta de ter suas orelhas puxadas, de ser apertado, espremido, de ficar sem seus brinquedos e sua vasilha de comida. Ensine esses limites para seu filho, ainda quando ele é um bebê e começa a engatinhar e ter acesso ao animal. E ensine o cão, com carinho e firmeza, sem violência, a conviver com o membro mais novo da matilha”.

A veterinária do Encrenquinha’s lembra mais de sua experiência pessoal: “desde os primeiros passeios do nenê, as cachorras participaram. É muito legal, eu recomendo. Com certeza, um lindo aprendizado, que se bem conduzido traz alegria e emoções positivas para todos os membros da família, pessoas e animais. Momentos e ensinamentos positivos que as crianças levarão para toda a vida”, reforça Adriana Zonis.